
Durante muitas décadas, a extinta URSS manteve substancial quantidade de unidades de elite, cujas missões e subordinações eram distintas das outras unidades regulares do Exército Vermelho.
Podemos citar, por exemplo, as Unidades Aerotransportadas, diretamente subordinadas ao Alto Comando, cuja participação foi essencial na invasão da Tchecoslováquia em 1968 e do Afeganistão em 1979. A conquista dos aeroportos de Praga e Kabul, respectivamente, foi a forma mais rápida que os lideres soviéticos usaram para garantir o sucesso e a surpresa tática. Seu desempenho, notadamente no Afeganistão elevou-as a um status de unidades de elite.
Outra unidade em torno da qual muita especulação foi e tem sido feita é a SPETSNAZ ( SPETSialnogo NAZnacheniya - Unidade de Operações Especiais), talvez porque pouco se saiba sobre a sua natureza fora das fronteiras russas, embora não seja absolutamente desconhecida nos meios militares do Ocidente, desde os tempos da Guerra Fria.
Criadas originalmente para lidar com dissidentes, contra-revolucionários e "indesejáveis", em 1989 o Exército Vermelho possuía dezesseis brigadas Spetsnaz, totalizando 30mil homens e mulheres. A Marinha Soviética também possuía quatro brigadas navais Spetsnaz, cuja missão principal era reconhecimento e sabotagem em instalações costeiras e defesas inimigas. As unidades Spetsnaz eram divididas entre a KGB, Órgão de Segurança do Estado; o GRU, Inteligência Militar, e o MVD, Segurança Interna.
Foi uma unidades Spetsnaz KGB que assassinou o Presidente Haffizulah Amin do Afeganistão, em dezembro de 1979, pouco antes da invasão deste país por tropas soviéticas.
Atualmente, após o desmembramento da União Soviética, o governo russo criou novas unidades especiais, com vistas a operações antiterroristas e de combate ao crime organizado, além de manterem muitas das antigas unidades soviéticas.
O grupo que invadiu o Teatro Dubrovka em Moscou era formado por membros da Spetsnaz, atualmente mais voltada para operações antiterrorismo do que propriamente ações militares convencionais.
Em combate, os Spetsnaz tem a reputação de serem os mais duros e implacáveis combatentes russos. Sua reputação foi duramente conquistada principalmente no Afeganistão e na Chechenia.
Controlados diretamente pelo Serviço Federal de Segurança (FSB), uma das subdivisões da Spetsnaz é conhecida como Unidade Alfa, especializada em combate ao terrorismo e ao crime organizado, e é formada por cerca de 2000 homens. Altamente respeitada na comunidade SOF no mundo inteiro.
A Unidade Vympel, formada pela elite dos sabotadores da antiga URSS, é especializada em lidar com situações que envolvam armas nucleares.
A Unidade Fakel, que também participou do ataque ao Teatro Dubrovka em Moscou, é treinada em situações com reféns e motins em prisões.
O processo de seleção nestas unidades é muito exigente, e o treinamento pode durar mais de cinco anos!
Os recrutas são submetidos a um intenso e propositadamente brutal curso básico de cinco meses, numa tentativa de transformá-los em homens capazes de resistirem as mais duras situações de combate que possam vir a encontrar.
Como exemplo, podemos citar o uso deliberado de gás para a retomada do Teatro Dubrovka em Moscou. Os Spetsnaz sabiam do risco para os reféns e para si próprios, mas assim mesmo seguiram em frente, o que demonstra que, na visão russa de resolver situações semelhantes, a eliminação dos terroristas tem prioridade sobre a segurança dos reféns.
A partir do momento em que se tornam reféns, para todos os efeitos eles já estão mortos...Resta então a eliminação dos perpetradores, para servir de exemplo.
As Agencias de Inteligência russas, FSB, FPS e a SVR (Sluzhba Vneshnej Razvedki) o equivalente russo da CIA, tem suas próprias unidades especiais.
Para unidades de elite e funções especiais, apenas o que há de melhor em armas e equipamentos. Os Spetsnaz tem acesso a ultima palavra em tecnologia militar tanto russa como estrangeira. Estão equipados com o que de melhor o dinheiro pode comprar, e são treinados para tirarem o máximo proveito destes equipamentos.
Entre tantos, podemos citar :
SV- 1303 - dispositivo hidráulico capaz de deter o dispositivo iniciador de uma carga explosiva.
SV- 1355 - Robo com sistemas visuais e auditivos, capaz de realizar missões de reconhecimento em áreas com suspeita de presença de explosivos.
SV - 1301 - Lança-granadas de efeito atordoante não-letal.
A tradição russa de qualidade entre seus snipers é comprovada entre as unidades Spetsnaz. Seus operadores são recrutados entre candidatos solteiros, e que não possuam parentes próximos, pois a forma como eles operam é garantia de baixas.
Entre suas opções, dispõem de fuzis sniper VSK-94 e SV-98.
As unidades de choque usam submetralhadoras silenciadas Kashtan e Vityaz, fuzis de assalto 9A-91 e pistolas GSh-18, que finalmente substituiram as venerandas Makarov.
Possuem também armas para uso embaixo dágua, como o fuzil de assalto APS e a pistola SPP-1M.
Durante a existência da URSS, atletas olímpicos laureados foram depois identificados como membros de unidades Spetsnaz, notadamente entre atiradores, jogadores de futebol e ginastas. Sua tarefa, além de vencer nas Olimpíadas, era a de observar de perto locais e pessoas que numa situação de guerra entre a OTAN e o extinto Pacto de Varsóvia seriam seus alvos preferenciais. Deviam também observar e absorver o modo de vida de outros povos, pois poderiam ser enviados a misturarem-se com estes povos, para melhor cumprirem suas missões.
No início de uma era onde o terrorismo tornou-se o inimigo principal, as autoridades russas podem contar com o que há de melhor em unidades especiais para este tipo de operações.
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